Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões
do autor e não refletem necessariamente a posição do RESUMO GRAPIUNA.
Uma das coisas mais antigas e
vezeiras na chamada “literatura de viagem”, qual seja, aquele tipo de descrição
da terra Brasilis pelos viajantes
estrangeiros, é a figura da Alegoria.
Dentre as maiores autoridades
do mundo no tema, o Prof. João Adolfo Hansen escreve em seu Alegoria – Construção e Interpretação da
Metafóra logo na abertura da tese: “A alegoria (grego allós = outro; agoureín = falar) diz b para significar a”.
As alegorias brasileiras
antigas, predominantes no período de colônia, usavam não só da literatura, mas
sobretudo da iconografia: desenhos e aquarelas, entre os mais famosos ficaram a
cargo de Debret e Rugendas, retratar o Brasil para o
Europeu.
Isso faz parte de nossa
história, faz parte de nossa cultura.
Não se trata aqui da forma
como o brasileiro apresenta o Brasil,
mas sim da forma como o estrangeiro apresenta o
Brasil para ele mesmo. O estrangeiro vê o Brasil que mais lhe
convém e o brasileiro globalista, o ajuda. Sempre foi assim, sempre será.
Há um Brasil ideal,
imaginário. Na Europa, é onde ele se mostra de forma mais plena.
Esse Brasil tipicamente alegórico mostra
para o europeu, como disse Hansen, uma imagem a mas
sempre significando b.
É inquestionável que, dentre
os temas prediletos de alegoria brasileira para europeus, a Amazônia ocupa
papel central.
Essa Amazônia alegórica vai
dos jogos de video game, cujo Street Fight imortalizou
Blanka, passando por lendas como a da cobra gigante Anaconda, incluindo filmes
B que contam histórias mirabolantes de uma floresta cheia de monstros que
roubam rins de adolescentes, até o último Indiana Jones que retratou as
Cataratas do Iguaçu no meio da floresta amazônica. Essas alegorias fazem
referência a uma Amazônia para o blue collar americano
– a Amazônia alegórica do europeu é bem pior: é a terra retratada pelo Sting e
sua bizarra amizade com o cacique Raoni; é a Amazônia das ONGs boazinhas; é
floresta do Greenpeace. É a tal “Amazônia do Mundo”.
Nessa Amazônia alegórica do
europeu, ela entra como uma personagem, quase uma pessoa, uma espécie de
Marielle verde – Bolsonaro, por sua vez, é o malvadão.
A Amazônia alegórica dos
jornais europeus diz a para
significar b.
Um tolo pode não perceber
certas coisas, mas nesse caso, até um energúmeno dílmico consegue identificar a alegoria.
São mais de 500 anos de
história – nem seria necessário apelar para Hansen: temos experiência
suficiente para sacar esse jogo oportunista.
Frau Merkel, ao lado de
Monsieur Marcon não passam por momentos gostosos em seus respectivos países.
Com risco de perderem os quentinhos assentos em breve, começam a montar um
discurso para atrair políticos de partidos verdes, uma praga de alta
repercussão na Europa globalista. Na França e na Alemanha, perder o apoio dos
partidos verdes pode ser tão desastroso quanto perder, em Israel, o apoio dos
partidos religiosos.
Eis ai a origem deste artigo –
eu não tinha a menor intenção de entrar neste assunto, pra mim obviamente
enfadonho, falso, desinteressante e oportunista. Israel está a menos de 1 mês
de mais uma eleição e vejo nessa frente muito mais peso e importância para
atrair nossa atenção do que essa Amazônia alegórica dos europeus. Pois bem –
folheando os jornais israelenses para posicionar o leitor do RENOVA em relação
ao que está ocorrendo lá (haja vista uma novidade fundamental que se sucedeu
ontem), planejava eu escrever um artigo sobre isso. Quando assim, de repente,
vejo que a Amazônia alegórica estava lá, em pleno Jerusalem Post, em
meio a Haaretz (neste,
como era de se esperar) e no Arutz Sheva.
Enfim, quando a Amazônia
alegórica passa a ocupar o espaço a atenção de um Israelense, em meio a uma
eleição importantíssima e para uma massa de leitores que tem mais coisas para
se preocupar (a começar com um probleminha chamado Hamas), é que a
narrativa franco-germânica (alimentada ostensivamente pela esquerda brasileira)
chegou a níveis inimagináveis de tosquidão.
É lógico que essa imprensa
anti-governo jamais contará a verdade inteira: que foi justamente no período
entre 2000 e 2018 que a Amazônia foi mais desmatada, devassada e tudo isso ai
que estão dizendo hoje. Porque esses dados da Amazônia Real não importam para a
Amazônia Alegórica Europeia – o que importa é a narrativa de que manter
Bolsonaro como inimigo a qualquer custo, ajudará Merkel e Macron internamente.
Por isso o silêncio na era PSDB/PT e a gritaria na era Bolsonaro.
Em meio a essa realidade, a
Amazônia Alegórica opera livre, com as suas fumaças esvoaçantes, os debates
sobre números e as choradeiras sobre as Hienas de Gericault ou sobre a Flora de
Arcimboldo.
Espanta que seus motores de
dispersão, a Alemanha e a Noruega, dão sede às principais empresas envolvidas
na Tragédia de Brumadinho e de outros desastres com mineradoras no Brasil.
Notem que a alegoria serve
para isso mesmo – criar uma narrativa de destruição putativa enquanto a
destruição verdadeira, ocorrida, comprovada e criminosa é jogada para baixo do
tapete da mesma Alemanha e da mesma Noruega que abrigam a Norsk Hydro e a Tüv
Süd, esta sim, com sangue nas mãos.
No confronto da Amazônia
alegórica com o Brasil de verdade, o 7×1 é em favor do Brasil.
fonte: RENOVA MÍDIA

