Caminhos
O que faz
uma mulher no auge dos seus 20 e poucos anos abandonar o conforto de seu lar, a
garantia do seu emprego, a tranquilidade de sua rotina para embarcar na
realização de um sonho em outros países, caminhando boa parte por quase 40
dias?
Ser dona da própria vida, decidir cortar nações nunca conhecidas, línguas que
não sabemos comunicar, e mais, decidir ir e vir da maneira mais confortável sem
precisar ter fiscais monitorando e pentelhando os nossos passos sem ter sidos
autorizados. Claro, se entender como independente e liberta tem o seu preço e
normalmente ele é bastante alto.
Não me coloquei na condição de vulnerável por não saber o idioma, nem de frágil
por andar em lugares nunca vistos, tampouco de incompleta por decidir embarcar
sozinha. Seria então egoísta em resolver-me viver realizando os meus sonhos?
Afirmativo.
Egoísta neste momento não se torna um defeito e sim um adjetivo de poder olhar
para dentro sem permitir interferências externas, potencializando o
amor-próprio, as opiniões, interesses e necessidades, e desprezando as
necessidades alheias.
Só não questione em tom de dúvida ou reprovação onde estão os filhos, quem
pagará as contas ou quem regará o jardim na ausência. Independência não
significa loucura, não é sumir por uma sequência de dias sem que uma vida
permaneça organizada.
Será um tempo onde os meus presságios e sextos sentidos terá um valor
incalculável, onde os sinais e o que acontece ao meu redor será fonte viva dos
próximos passos.
Expectativas e experiências bailando no mesmo salão, oferecendo um caminho
verdadeiro de encontro com a minha alma.
Talvez pisando em Finisterre compreenderei que as minhas perguntas são muito
mais interessantes do que a minhas respostas, mas isso eu só poderei responder
quando eu tocar no marco zero que me espera.
Vamos comigo. Ultreya! Suseya!
Coluna da
escritora Juliana Soledade via jornal A Região

