O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se
declarar inocente das acusações que responde na Justiça e afirmou que "é
uma mentira dizer que roubou". A declaração foi feita durante um evento
chamado Ato pela Reconstrução do Estado Democrático e de Direito, realizado na
Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
"Fico pensando que direito um cidadão, mesmo sendo juiz, que direito o
Ministério Público e que direito tem a Polícia Federal de contar uma mentira e
dizer que roubei", disse sob aplausos.
Em meio às intensas
críticas à Operação Lava Jato, Lula previu que "daqui a pouco o Moro me
prende por obstrução de justiça". O ex-presidente lembrou que certa vez
foi processado no Acre porque, como sindicalista, reuniu-se com trabalhadores
rurais depois que um líder havia sido morto por um fazendeiro.
"No discurso,
falei que estava muito cansado de chorar a morte de companheiro, e que estava
chegando a hora de a onça beber água. No dia seguinte, os trabalhadores rurais
mataram o fazendeiro, e o juiz intuiu que minha frase foi a senha para que os
trabalhadores matassem esse fazendeiro. O juiz escreveu que 'o Lula precisa ser
preso não porque ele anda armado, mas porque ele tem uma língua ferina'".

