Diante da forte turbulência causada pela delação da JBS,
líderes de partidos da base aliada e interlocutores do governo na Câmara
defendem que a reforma da Previdência só comece a ser votada no plenário da
Casa em agosto, após o recesso parlamentar. A avaliação é de que, pela
impopularidade da matéria, seria um risco pautá-la agora, em meio à
instabilidade que vive o governo Michel Temer.
A opinião dos líderes é mais pessimista do que a do ministro da Fazenda,
Henrique Meirelles, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ambos
defendem aprovação da proposta antes do recesso. Em teleconferência ontem com
investidores, Meirelles disse esperar aprovar a reforma em junho ou julho deste
ano, "no máximo em agosto". Segundo ele, a aprovação da matéria até
agosto não traz problemas fiscais.
"Chance nenhuma de votar antes do recesso. A reforma da Previdência é um
objetivo que todos nós buscamos. Não podemos correr o risco de não
aprová-la", afirmou o líder do PSD, Marcos Montes (MG), que comanda a
sexta maior bancada da Câmara, com 37 deputados. Para ele, a proposta só pode
ser votada com um governo politicamente forte. "O que, infelizmente, não
temos nesse momento de instabilidade", disse. (Estadão)

