O presidente Michel Temer (PMDB) reafirmou que não
vai renunciar, pois isso seria admitir a culpa e foi peremptório: "Se
quiserem, me derrubem". Em entrevista à Folha de São Paulo no Palácio
da Alvorada, Temer afirmou que não sabia que Joesley Batista era investigado
quando o recebeu e disse que não cometeu prevaricação, quando um servidor
público tem conhecimento de crime e não denuncia, pois, segundo ele, ouve muita
gente, e muita gente diz as maiores bobagens que ele não levaria em conta.
“Confesso que não levei essa bobagem em conta. O objetivo central da conversa
não era esse. Ele foi levando a conversa para um ponto, as minhas respostas
eram monossilábicas...” Disse também que recebeu o empresário porque
pensou que o assunto fosse a Operação Carne Fraca e que quando possível,
atende todo mundo, além disso, segundo ele, Joesley teria tentado
três vezes lhe procurar.
Em relação ao assessor Rocha Loures, que foi filmado correndo com uma mala pela
rua, o presidente disse que tudo foi montado e que Joesley teve
treinamento de 15 dias para fazer a delação e que o Rodrigo foi induzido,
seduzido por ofertas mirabolantes e irreais.
Ao ser questionado se a Procuradoria-Geral armou para ele, o oresidente disse
que não faria nenhuma observação, mas que chamou a atenção de todos a
tranquilidade com que Joesley saiu do país, quando muitos estão na prisão e sem
tornozeleira.
“Além disso, vocês viram o jogo que ele fez na Bolsa. Ele não teve uma
informação privilegiada, ele produziu uma informação privilegiada. Ele sabia,
empresário sagaz como é, que no momento em que ele entregasse a gravação, o
dólar subiria e as ações de sua empresa cairiam. Ele comprou US$ 1 bilhão e
vendeu as ações antes da queda”, concluiu.
Na entrevista à "Folha", Temer afirmou que não está politicamente
perdido. “Eu vou revelar força política precisamente ao longo dessas próximas
semanas com a votação de matérias importantes. Tenho absoluta convicção de que
consigo. É que criou-se um clima que vai ser um desastre, de que o Temer está
perdido. Eu não estou perdido”. (Bahia Econômica)

