O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao ministro Gilmar Mendes,
do Supremo Tribunal Federal, que sejam tomados os depoimentos do presidente
nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), do ex-ministro José Dirceu, do
senador cassado e delator Delcídio Amaral (sem partido-MS) e do
ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira sobre a existência de um suposto
esquema de corrupção em Furnas. Caso Gilmar, relator do inquérito no STF,
autorize a convocação, será a primeira vez que Aécio vai depor sobre o caso da
estatal federal de energia.
O senador
minimizou pedio. Ele afirmou, por meio de assessoria de imprensa, que pedidos
de prorrogação de prazo em procedimentos investigatórios são rotina. E que as
novas diligências não guardam relação com o senador, "uma vez que se
referem apenas à solicitação de cópias de documentos da empresa e oitivas de
membros do PT". Por fim, a nota diz que o aprofundamento das investigações
vai mostrar a lisura dos atos de Aécio.
"Os
elementos informativos já reunidos nos autos apontam para a verossimilhança dos
fatos trazidos pelos colaboradores (uma suposta partilha de propina entre
políticos) e denotam a necessidade de aprofundamento das investigações,
notadamente quanto ao envolvimento de Dimas Fabiano Toledo (ex-diretor de
Engenharia da estatal) no evento criminoso e a sua relação com o senador Aécio
Neves", escreveu Janot no pedido protocolado no STF na quinta-feira
passada, dia 23.
O
procurador-geral requereu também a prorrogação do inquérito por mais 60 dias -
a investigação foi instaurada em maio do ano passado e já fora prorrogada por
60 dias em novembro passado. (Estadão)

