A Bahia perdeu 1.012 leitos de internação pediátrica nos
últimos anos, sendo 111 apenas na capital. O fechamento de leitos de UTI
infantil começou em 2010, no início do primeiro governo de Dilma Rousseff. Mais de 10 mil leitos de internação em pediatria clínica, aqueles
destinados a crianças que precisam permanecer num hospital por mais de 24
horas, foram desativados na rede pública de saúde nacional.
No fim de 2010, o país tinha 48 mil e 300 leitos pediátricos para uso
exclusivo do SUS. Até novembro do ano passado, o número tinha baixado para 38
mil e 200, uma queda de aproximadamente 5 leitos por dia. A análise é da Sociedade Brasileira de Pediatria, que também identificou
que 40% dos municípios não possuem nenhum leito de internação nesta
especialidade. As informações apuradas junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de
Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, preocupam os especialistas, mas não
surpreendem quem sente na pele os dilemas do SUS.
"A redução do número de leitos tem um impacto direto no atendimento,
provocando atrasos no diagnóstico e no início do tratamento", critica a
presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Luciana Rodrigues Silva.
De acordo com ela, as doenças que prevalecem em crianças são sazonais e
nos primeiros semestres de cada ano, geralmente, acentuam-se as viroses
gastrointestinais. Estas, em muitos casos, demandam internações. Além disso, ela destaca que
casos mais sérios de dengue, que afetam crianças e adolescentes, bem como o
aumento dos casos de alergias, infecções respiratórias e pneumonia. Das 5.570 cidades do Brasil, 2.169 não possuem nenhum leito. Entre as que
possuem pelo menos uma unidade de terapia intensiva infantil, um terço tem
menos de 5 leitos e 66 deles contam com apenas um. (A Região)


