Funcionários do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães se manifestaram a favor da permanência do médico Paulo Bicalho na direção da unidade. Sua saída foi cogitada nos bastidores da política itabunense. Bicalho reclama da falta de recursos para honrar compromissos que o HBLEM assumiu para oferecer mais serviços aos usuários do SUS.
Apesar de aumentar a qualidade, o volume e os tipos de procedimentos médicos, a arrecadação do hospital não aumentou. Conforme o gestor, o orçamento mensal precisa de mais duzentos e oitenta mil reais (R$ 280.000).
A situação do HBLEM contrasta com a da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, instituição que já foi administrada pelo atual secretário de saúde do município, Eric Ettinger. Entre janeiro e julho de 2015, Ettinger garantiu repasses para a Santa Casa que somam mais trinta e um milhões de reais (R$ 31.486.200,87). De janeiro a junho, o Hospital de Base arrecadou R$ 17.582.739,24.
Curioso que o governo não faça propaganda sobre os contratos com a Santa Casa. Natural seria dar ampla divulgação ao que teoricamente beneficia usuários do SUS. Isso repercutiria bem entre a opinião pública.
O secretário Eric Ettinger se recusa a aumentar os repasses para o Hospital de Base. Enquanto isso, os beneficiários do SUS percebem melhoras significativas no HBLEM, mas não notam o mesmo nos hospitais mantidos pela Santa Casa. O Blog do Gusmão já discutiu esse contraste em outras ocasiões.
O contraste não para nos números. Bicalho conquistou o respeito e a admiração dos funcionários. A expectativa da sua saída abalou o ambiente de trabalho. Ele tem uma visão humanizada sobre o SUS e valoriza os profissionais. Sua gestão resgatou o Hospital de Base do sucateamento. Por isso, no balanço que fez hoje sobre os trinta meses de governo, ao falar da saúde, o prefeito Claudevane Leite (PRB) dirigiu a maioria dos elogios à evolução significativa do HBLEM e pouco citou os trabalhos conduzidos por Eric Ettinger.
O secretário não dedicou o mesmo volume de recursos para os serviços da rede de atenção básica. As reformas de postos de saúde se arrastam. Esse é o caso das unidades dos bairros Canecos, Vila das Dores, Lomanto e Santo Antônio. Também faltam médicos e materiais básicos para curativos.
Além disso, a postura de Ettinger é muito questionada. Ele cultivou a rejeição da maior parte dos servidores da saúde. O que o segura no cargo, estranhamente, é a opção mal explicada do prefeito de manter um secretário cujo único feito digno de destaque foi o aumento considerável dos valores destinados à entidade que geriu.
Documentos do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) enviados para este blog (por uma fonte que prefere não se identificar) embasam as informações desta publicação – veja aqui e aqui. (Blog do GUsmão)