A travesti Verônica Alves, 25 anos, presa por tentativa de homicídio em São Paulo, se envolveu em uma briga com agentes da polícia e chegou a arrancar um pedaço da orelha de um deles na confusão. Ela apareceu depois com o rosto desfigurado e a Defensoria Pública de São Paulo afirma que há sinais de que ela sofreu tortura.
Ela foi transferida nesta quinta-feira para o Centro de Detenção Provisória Chácara Belém 2 e ficará em uma cela especial para detentos LGBT. Em relato, Verônica disse que foi agredida por policiais na última sexta, quando foi presa acusada de homicídio culposo. Em imagens do último domingo, ela aparece com roupas rasgadas e rosto desfigurado.
O advogado de Verônica, Marcello da Conceição, afirmou que vai pedir um habeas corpus com base no fato de ela ainda não ter passado por uma audiência de custódia. Para ele, não quiseram levar a presa à audiência por conta das lesões que ela sofreu. "Ou seja, tentaram omitir a agressão que ela sofreu", disse o defensor ao Extra.
Verônica narrou aos advogados do Centro de Cidadania LGBT da Prefeitura de São Paulo que foi alvo de agressões em vários momentos, por parte de PMs e de policiais "de preto", que seriam do Grupo de Operações Táticas Estratégicas (GOE). Ela narrou os momentos de agressão como da prisão, quando atacou o agente carcerário e a caminho do hospital, onde foi encaminhada para tratar os ferimentos. Ela se encontrou com a mãe na terça, em ação intermediada pelo Cads.


