O Ministério da Educação divulgou nota, nesta terça-feira (23), após o
bate-boca entre o ministro Abraham Weintraub e manifestantes na noite de
segunda-feira, em Alter do Chão, no Pará, onde passa férias com a
família. De acordo com a nota, o MEC "repudia os lamentáveis atos de
violência sofridos pela pessoa do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e
seus familiares. O ministro, que está em férias após ter assumido o cargo
há menos de 4 meses, desde o começo de abril, jantava com a esposa e seus três
filhos (9, 12 e 13 anos de idade) na cidade de Alter do Chão, no Pará, quando
foi hostilizado por manifestantes que o constrangeram em praça pública."
O ministro foi abordado por ativistas do Engajamundo, uma rede de jovens
organizados pelo Brasil. O grupo entregou a ele uma kafta, referência irônica
ao episódio no qual ele errou a pronúncia do sobrenome do celebrado escritor
Franz Kafka, chamando-o pelo nome da iguaria árabe.
O cartaz que uma manifestante segurava fazia referência também a outras
polêmicas envolvendo Weintraub, como o anúncio de corte de verbas de três
universidades por "balbúrdia" e a tentativa do ministro de explicar
com chocolates o contingenciamento estendido a todas as federais.
Weintraub reagiu. Pegou o microfone de músicos que faziam uma
apresentação no local e disse que estava de férias com a família. Depois,
disparou críticas contra o PT, Lula e até Che Guevara. A um dos manifestantes, indígena, o ministro disse "não é
porque você está com um cocar que você é mais brasileiro do que eu, seu
babaca".
Diz o comunicado do MEC: "O grupo, que se identificou como
representante da comunidade indígena, alegou que não havia sido recebido pelo
ministério. No entanto, no dia 5 de junho representantes de lideranças
indígenas e quilombolas foram recebidos na sede do MEC, em Brasília."
A pasta afirma que abriu mais de 4.000 bolsas de estudo para indígenas e
quilombolas matriculados em cursos de graduação em instituições e universidades
federais, entre outras iniciativas.
"Entretanto, o ministério reitera que não há justificativa
plausível para um ataque desta natureza a um brasileiro e seus
familiares", finaliza o comunicado do MEC. Vaiado pela maior parte dos que estavam jantando nos restaurantes com
mesas na calçada, o ministro acabou atraindo mais manifestantes além dos
ativistas do Engajamundo. Alguns chegaram perto e bateram boca com ele e a sua
mulher, que saiu da mesa para defendê-lo, aos gritos. Após a discussão, o
ministro foi convencido pela família a sair e deixa o local sob gritos de "fazendo
balbúrdia" e "fascista". LEIA MAIS

