O ajudante geral Rafael Rodrigues, de 22 anos, que buscou
atendimento para filha de dois anos no Hospital e Maternidade de Itororó, no
sul da Bahia, diz que está amedrontado após supostamente ter sido ameaçado pelo médico Pompilio Espinheira com uma arma. O
caso aconteceu na noite de quarta-feira (7) e foi registrado na delegacia do
muncípio. O profissional de saúde foi afastado temporariamente.
"Eu estou com medo de ficar aqui na esquina
conversando com meus amigos, de sair de casa. Porque ele puxou arma dentro do
hospital. O que pode mais fazer?", diz o rapaz. O jovem diz que o médico negou atendimento à filha, que
sentia dor de ouvido e estava com febre. Rafael estava no hospital acompanhado
da mulher e mãe da criança, Elane Pires. O G1 entrou em contato com o médico
Pompilio Espinheira, que disse, por telefone, que "não tem nada a declarar
sobre o assunto". O gestor do hospital, Jailme da Silveira, disse que o
médico alegou a ele estar "limpando a arma" em uma sala de descanso
que foi invadida pela mãe da criança.
"Eu conversei com ele [médico] por telefone e ele me
alegou que estava no quarto limpando a arma quando a paciente invadiu o
ambiente que ele estava, no conforto médico, e houve a discussão", afirma.
Ainda segundo o gestor, o caso de ameaça será apurado. "Eu bati na porta e pedi pelo amor de Deus que
atendesse minha filha. Ele começou a falar que eu era mal educada e estava
incomodando ele no alojamento", diz a mãe, Elane Pires. Ela chegou a
pensar em desistir de buscar atendimento, mas o marido e pai da criança
insistiu. Rafael procurou novamente o médico e eles discutiram. "Ele sacou
a arma e falou que ia descarregar a arma na minha cara se eu não saísse",
afirma o ajudante.
O delegado de Itororó, Frank
Nogueira, disse que a família e o médico ainda serão chamados para depoimento.

