A manobra para tentar votar de última hora uma proposta
de anistia a políticos que tenham praticado caixa 2 nas campanhas eleitorais
foi possível graças a uma articulação entre os principais partidos da base
aliada do presidente Michel Temer e a oposição, entre eles PSDB, PMDB, DEM, PP,
PT e PCdoB. A medida, que pode beneficiar investigados na Operação Lava Jato,
só foi retirada de pauta após pressão de uma minoria de deputados que estavam
na Câmara na noite desta segunda-feira, 19.
Segundo o Estado apurou, a ideia de
colocar a proposta em votação vinha sendo gestada há pelo menos três semanas
por deputados e senadores com a participação de líderes. A iniciativa contou
com o aval dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que ocupa interinamente
a Presidência, e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ambos negam. A
articulação era para aprovar a proposta na Câmara e que, em seguida,
fosse apreciada no Senado. A ideia era utilizar um projeto que
tramita na Câmara desde 2007 e trata de regras eleitorais para incluir uma
emenda anistiando o caixa 2, mas o texto com a alteração não foi tornado
público.
Na avaliação de deputados, a medida foi colocada em
votação às pressas porque atendia a interesses de diversos partidos,
especialmente os que estão implicados na Lava Jato. Uma das maiores
empreiteiras do País, a Odebrecht, está prestes a concluir acordo de delação
premiada com a Procuradoria-Geral da República. “Quem vai acreditar que não se
quer livrar a cara de todos? Bem na hora em que as duas maiores empreiteiras do
País negociam delação, a OAS e a Odebrecht, e têm uma mega lista de
parlamentares implicados, o Congresso vem e quer passar uma borracha geral
nisso?”, afirmou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). LEIA MAIS

