Enquanto Padilha (ex-ministro) buscava "enganar" o povo, e não é novidade, divulgando que sua filha nasceu no SUS, mas com o absurdo de ser diferenciado, com o dobro de médicos na sala: três obstetras e três pediatras. Entre os primeiros, o próprio diretor do hospital que raramente sai de sua sala, e os outros cinco eram todos do Hospital das Clínicas, da USP, em força-tarefa especial para o parto...
Aqui em nossa cidade, uma dona de casa peregrinou pelos hospitais momentos antes de dar à luz um bebê aparentemente saudável, que morreu menos de 24 horas depois de chegar em casa. Negligencia médica e descaso por parte da Maternidade Ester Gomes (Mãe Pobre), esta acusação foi feita pela dona de casa.
Relatou ainda que o parto normal foi feito por uma enfermeira. Enquanto Padilha convocou os médicos de sua confiança para fazer o que tinha de ser feito dentro de um hospital público, cuja equipe de plantonistas e residentes foi dispensada. A recém-nascida foi levada à UTI Neonatal, onde os plantonistas também tiveram de ceder lugar a uma médica do Hospital das Clínicas, profissional do Instituto da Criança da USP.
Já para a dona de casa itabunense, o SUS diferenciado lhe proporcionou um pós-parto absurdo: a paciente foi colocada em uma cadeira de rodas, quando o correto seria uma maca. Ela conta que até o dia seguinte, quando teve alta, não recebeu a visita de nenhum médico. A liberação foi feita por uma enfermeira que “assinou” em nome do médico.
Lígia mostrou a guia, que está com ela. Segundo ela, seu bebê também não teve atendimento médico pediátrico, a não ser o teste do ouvido, feito pela enfermeira. A criança lhe foi entregue sem sequer tomar banho.
Já em casa, o bebê, que recebeu nome de José Lucas, após seu primeiro banho foi levado ao Posto de Saúde para a primeira vacina. A pediatra constatou manchas escuras espalhadas pelo corpo e pediu aos pais que o levassem com urgência ao hospital. No Manoel Novaes, foi diagnosticado um quadro grave, com internação imediata. Lígia voltou para casa à noite ligou e lhe informaram que o quadro era estável. Às 5h uma ligação anunciava a morte de bebê. No laudo consta “morte por insuficiência respiratória aguda”. Mas documentos mostram que a dona de casa fez o pré-natal em clínicas particulares e que até antes do parto seu bebê não apresentava nenhum problema de saúde, conforme ultrassonografias e exames.
A Maternidade Ester Gomes atende gratuitamente pacientes de 125 municípios da região, mesmo enfrentando graves problemas financeiros. A situação é tão crítica que falta tudo, de medicamentos, pagamento de fornecedores, até salários, incluindo dos médicos. A estrutura física também não é das melhores por falta de manutenção. Os registros mostram que são feitos mais de 500 partos todos os meses...
UM BRASIL, DOIS SUS...

