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ABSURDO: MORTE DE BEBÊ EM ITABUNA PODE TER SIDO POR NEGLIGENCIA


Negligencia médica e descaso por parte da Maternidade Ester Gomes (Mãe Pobre). Esta acusação foi feita pela dona de casa Lígia dos Santos Estrela, que peregrinou pelos hospitais momentos antes de dar à luz um bebê aparentemente saudável, que morreu menos de 24 horas depois de chegar em casa. ligia e o bebe. O caso aconteceu na tarde de 20 de janeiro, quando Lígia, já sentindo contrações do parto e perdendo sangue, foi levada ao Hospital Manoel Novaes. Após ser examinada pelo médico plantonista Àlvaro Andrade Brito, ele confirmou a dilatação. 

Porém disse à paciente que estava “indisposto” e não poderia fazer o parto. Ela foi em seguida para a Maternidade da Mãe Pobre. Foi o tempo de chegar lá e o bebê nascer. O parto normal foi feito por uma enfermeira, o que está dentro das normas. Logo depois, a paciente foi colocada em uma cadeira de rodas, quando o correto seria uma maca. Ela conta que até o dia seguinte, quando teve alta, não recebeu a visita de nenhum médico. A liberação foi feita por uma enfermeira que “assinou” em nome do médico Carlos Coelho. 

Lígia mostrou a guia, que está com ela. Segundo ela, seu bebê também não teve atendimento médico pediátrico, a não ser o teste do ouvido, feito pela enfermeira. A criança lhe foi entregue sem sequer tomar banho. 

VOLTA AO HOSPITAL MANOEL NOVAES...
Já em casa, o bebê, que recebeu nome de José Lucas, após seu primeiro banho foi levado ao Posto de Saúde Lavinia Magalhães (bairro Conceição) para a primeira vacina. A pediatra constatou manchas escuras espalhadas pelo corpo e pediu aos pais que o levassem com urgência ao hospital. No Manoel Novaes, foi diagnosticado um quadro grave, com internação imediata. Lígia voltou para casa à noite ligou e lhe informaram que o quadro era estável. Às 5h uma ligação anunciava a morte de bebê. No laudo consta “morte por insuficiência respiratória aguda (septicemia)”. 

Ainda bastante abalada, Lígia diz que seu filho morreu por negligência e descaso na Mãe Pobre, já que, segundo ela, em nenhum momento o bebê foi examinado por um medico. Ela acredita que a complicação respiratória foi provocada pelo resto de parto, já que não fizeram a sucção. Documentos mostram que a dona de casa fez o pré-natal em clínicas particulares e que até antes do parto seu bebê não apresentava nenhum problema de saúde, conforme ultrasonografias e exames. Ela promete levar o caso ao Ministério Público Estadual. 

ATENDIMENTO SUSPENSO...
No Hospital Manoel Novaes, o chefe da enfermaria, João Ricardo, explicou que o atendimento na maternidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que aliás foi suspenso na semana passada, só é feito a pacientes com gravidez e parto de alto risco. Já na Mãe Pobre, o diretor geral Victor Borgon nega que a paciente e seu bebê não tenham sido atendidos pelos plantonistas Carlos Coelho (obstetra) e Frederico Almeida (pediatra). Segundo Victor, paciente e bebê só deixam a unidade depois de constatado clinicamente que passam bem. 

Quando há risco ou comprometimento da saúde, são encaminhados para o Manoel Novaes, segundo o diretor. A Maternidade Ester Gomes atende gratuitamente pacientes de 125 municípios da região, mesmo enfrentando graves problemas financeiros. A situação é tão crítica que falta tudo, de medicamentos, pagamento de fornecedores, até salários, incluindo dos médicos. A estrutura física também não é das melhores por falta de manutenção. Os registros mostram que são feitos mais de 500 partos todos os meses. (jornal A Região)